Hélio Pariz
A Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (United States Conference of Catholic Bishops – USCCB) divulgou um relatório no último dia 10 de abril para fazer uma espécie de “inventário” de quanto está custando aos cofres paroquiais os escândalos provocados por sacerdotes pedófilos no país.
Somente no ano de 2011, os casos de pedofilia envolvendo padres custaram às dioceses norteamericanas a soma exata de 108.679.706 dólares, sendo distribuídos da seguinte maneira:
- 46,3% (50,4 milhões) foram destinados a acordos
- 5,6% (6,1 milhões) gastos em terapia para as vítimas de abuso
- 33,7% (36,7 milhões) pagos em honorários advocatícios
- 9,1% (9,9 milhões) alocados ao suporte para os abusadores
- 5,1% (5,6 milhões) em despesas diversas
Em relação aos valores despendidos no ano anterior, houve uma sangria de 35.372.010 dólares nos cofres católicos americanos em 2011, levando o total contabilizado desde 2004 à astronômica soma de 2.488.405.755 dólares (no popular, cerca de 2 bilhões e meio) gastos pela igreja católica dos EUA com todos os processos e atividades (judiciais ou não) que envolvem parte do seu clero em escândalos de pedofilia.
Quanto às denúncias propriamente ditas, no ano passado 21 menores de idade alegaram que foram abusados sexualmente por um padre ou diácono. O relatório conclui que 7 dessas denúncias foram consideradas verdadeiras, 3 falsas, 5 foram rebaixadas para “violações limítrofes” (seja lá o que isso signifique) e outras 3 ainda estão sob investigação.
Por outro lado, 683 adultos alegaram que foram abusados sexualmente por sacerdotes no passado. As denúncias envolviam 551 padres e 7 diáconos, sendo que 253 já estavam mortos, 58 haviam abandonado a batina, 184 estavam afastados do ministério e 281 (vivos ou mortos) já tinham sido citados em denúncias anteriores.
Quanto às vítimas, 82% das que alegaram ter sido abusadas eram do sexo masculino, embora 11 das que ainda são menores de idade sejam do sexo feminino. 68% dos abusos denunciados ocorreram ou começaram entre 1960 e 1984.
Metade das vítimas tinha entre 10 e 14 anos de idade quando os abusos começaram. 16% delas tinham entre 15 e 17 anos e outros 16% eram menores de 10 anos de idade. 19% não souberam precisar a idade que tinham quando começaram a sofrer os abusos.
O pior período de abusos apontado pelas vítimas ocorreu entre os anos de 1975 e 1979. As denúncias falsas ou inconclusivas variaram entre 11% e 17% em cada um dos últimos 6 anos.
O relatório (bastante amplo e detalhado) pode ser acessado em .pdf na página da USCCB e um breve resumo pode ser lido no sítio da Catholic Culture.
Apesar da gravidade dos dados revelados, não deixa de ser digna de nota a transparência que a USCCB está tendo no tratamento das informações fornecidas. Seria ótimo se sua colega brasileira – a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) seguisse o mesmo caminho.

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