quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Laicismo seja louvado

O grande assunto do momento é a proposta de eliminação da frase "Deus seja louvado" das cédulas de real. Ouvi, nesta manhã, em um programa de rádio, um procurador do Ministério Público Federal (MPF) dizendo que o Estado é laico e deve eliminar as referências à religião. Ele, inclusive, notificou o Banco Central (BC) por considerar que a aludida frase é uma "ofensa à laicidade da República Federativa do Brasil".

Segundo o MPF, o registro na moeda nacional desrespeita o Estado laico e deve ser banido das cédulas. O BC argumenta que até a Constituição Federal foi promulgada "sob a proteção de Deus", e que "A República Federativa do Brasil não é anti-religiosa ou anti-clerical, sendo-lhe vedada apenas a associação a uma específica doutrina religiosa ou a um certo e determinado credo".


Ora, se a aludida frase incomoda tanto o MPF, bem como os ateístas, ativistas LGBTUVWXYZ e adeptos do laicismo, de modo geral, sugiro que eles façam propostas ou exigências mais amplas, além de requererem a exclusão dos "abomináveis" dizeres contidos nas cédulas do real. 
Se o Estado é laico, como eles advogam, que não haja mais nenhum feriado ou comemoração religiosa no Brasil. Não seria bom para todos eliminar o calendário católico, em nome da laicização? Imagine o que aconteceria com o comércio, se não houvesse mais os dias de N.S. Aparecida, Páscoa, Finados e Natal!

Ah, o Estado é laico? Então, que sejam demolidos o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e a estátua do Padre Cícero, no Ceará. Penso que esses grandes símbolos religiosos deveriam ser eliminados, para agradar os laicistas de plantão, não é mesmo? O ideal seria que no lugar dos tais símbolos fossem erigidos monumentos que cultuem a diversidade sexual e a liberdade de expressão. Que tal colocar um enorme arco-íris, símbolo usado pelos cidadãos LGBTUVWXYZ, no alto do Corcovado, bem como uma estátua de Oscar Wilde em Juazeiro do Norte? Certo deputado BBBrasileiro ficaria satisfeitíssimo, caso isso ocorresse.


Ora, se o Estado é laico, é inadmissível que haja cidades cujos nomes façam referência à religião, como Aparecida, em São Paulo, e Natal, no Rio Grande do Norte. Proponho que, numa decisão exemplar, a maior cidade do nosso país, São Paulo, tenha o seu nome mudado para Carl Marx ou Voltaire. Outro Estado que deve mudar de nome urgentemente é o Espírito Santo. Este é uma afronta ao laicismo!


Ironias à parte, será que todo esse empenho em laicizar o Estado tornará o Brasil melhor? Será que a "relevante" conduta do MPF contribuirá para a diminuição dos índices de homicídio nas grandes cidades, melhorará a educação, a saúde pública e o trânsito, bem como tornará o nosso país mais civilizado?


Ciro Sanches Zibordi

Por que "Deus seja louvado" ofende os ateus?



Considero o principal argumento do Ministério Público Federal (MPF) e dos ativistas LGBTUWXYZ para exigir que o Banco Central (BC) retire a frase "Deus seja louvado" das cédulas de real fraco e irrelevante. Por quê?

Em primeiro lugar, porque, em nome do laicismo, o MPF e os ativistas LGBTUWXYZ alegam, de modo equivocado, que a aludida frase ofende os ateus e prioriza o cristianismo. No Brasil há pessoas de várias religiões. E elas defendem várias teorias gerais ou pontos de vista sobre Deus, como: ateísmo, agnosticismo, panteísmo, politeísmo, dualismo, deísmo e teísmo.


O ateísta diz: "Não há Deus", mas tem o seu deus: a razão. O agnóstico afirma: "Tudo é relativo. Nada pode ser provado" (também nega a existência de um Deus pessoal). Dizem que o agnóstico é o ateu que não tem coragem de assumir seu ateísmo.


Já o panteísta assevera: "Deus é tudo, e tudo é Deus". O politeísta, por sua vez, defende a existência de muitos deuses. E o dualista afirma: "Deus é finito e harmoniza bem e mal". O deísta (não confunda com o teísta) diz: "Deus só pode ser compreendido pela razão". E, finalmente, o teísta assevera: "Deus existe e está no controle de todas as coisas".


Com tantas cosmovisões diferentes, a frase "Deus seja louvado" pode significar muitas coisas e se reveste de imparcialidade. Para ofender outras religiões, ela deveria ser específica, como "Jesus Cristo seja louvado" ou "Alá seja louvado". Da forma como está grafada a frase não agride a ninguém.


Diante do exposto, num Brasil multifacetado, de tantas religiões e cosmovisões, o termo "deus" se torna genérico. Ademais, se para os ateus, ao contrário de nós, cristãos (teístas), não existe um Deus pessoal, Criador do Universo, uma frase sobre Ele deveria ser inócua e inofensiva, não é mesmo?


Ciro Sanches Zibord